Vanessa Ledier Cabral
CRP: 06/159367
Formada em Psicologia, Pós graduada em Avaliação Psicológica e Pós graduanda em Neuropsicologia
Atuo há quatro anos na área clínica, realizo atendimentos presenciais e online voltados para crianças, adolescentes e adultos. Além da psicoterapia, também realizo avaliação psicológica e neuropsicológica para todos esses públicos.
Quando pensamos em saúde, é comum imaginarmos um estado de equilíbrio contínuo, onde o corpo e a mente funcionam sem grandes alterações. Construímos nossas rotinas, planos e metas presumindo que o amanhã seguirá o mesmo roteiro de hoje. No entanto, o adoecimento, seja ele uma condição física crônica, um diagnóstico inesperado ou a fragilidade de quem amamos, chega sem pedir licença e chacoalha essas certezas.
Diante da doença, a reação imediata costuma se dividir em dois extremos que podem ser nocivos: a negação, que tenta fingir que nada mudou, ou a cobrança por uma “luta heroica”, como se a recuperação dependesse apenas de encarar o problema com um sorriso no rosto. Mas a realidade do sofrimento humano é bem mais complexa do que aparenta.
A perspectiva psicanalítica nos lembra que nós não somos só uma máquina de carne e osso, mas sim sujeitos feitos de histórias, afetos e limitações. Quando o corpo adoece, o impacto vai muito além da dor física: há um abalo na nossa identidade, autonomia e no modo como nos relacionamos com o mundo. O medo do futuro, a sensação de perda de controle e o luto pela rotina que tínhamos antes são reações perfeitamente legítimas.
Lidar com o adoecimento não significa “vencer a doença” a qualquer custo, mas sim encontrar formas possíveis de conviver com ela sem perder a própria humanidade.
O tratamento médico tradicional é indispensável para diagnosticar, medicar e cuidar das funções do corpo. Porém, a medicina trata o órgão e o sintoma biológico, cabe ao paciente e à sua rede de apoio cuidar daquilo que a enfermidade mobiliza emocionalmente. Um laudo médico não resume quem você é, e a dor não precisa ser a única lente pela qual você enxerga a vida.
É justamente no meio desse turbilhão que a escuta clínica ganha valor. Ter um espaço onde é permitido expressar o medo sem ser julgado, chorar a incerteza sem ser rotulado de “pessimista” e reorganizar os próprios desejos diante do cenário atual é fundamental. Falar sobre o que dói abre caminho para que a pessoa deixe de ser uma espectadora passiva do seu tratamento e volte a se reconhecer como sujeito da sua própria história, respeitando o tempo de assimilar cada etapa.
Enfrentar uma enfermidade não é sobre demonstrar uma força inabalável, mas sim sobre ter a coragem de reconhecer a própria fragilidade. Significa entender que baixar a guarda e pedir ajuda não é sinal de derrota, mas o caminho para não atravessar esse momento em um isolamento doloroso.
Se você ou alguém próximo está passando por um momento de vulnerabilidade na saúde, lembre-se: a dor não precisa ser carregada em silêncio. Permitir-se pausar, sentir e buscar apoio, seja na família, nos médicos ou no espaço terapêutico, é a forma mais digna de cuidar da vida, mesmo nas estações mais difíceis.
Vanessa Ledier Cabral
Psicóloga – CRP: 06/159367