Campanha reforça a importância da prevenção e do combate à violência contra a mulher e convida toda a comunidade a fazer parte dessa luta.
Durante o mês de agosto, o Brasil se veste de lilás para lembrar uma questão que precisa ser discutida durante todo o ano: a violência contra a mulher.
O Agosto Lilás é uma campanha de conscientização, prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres. Mais do que uma campanha de uma única época do ano, o movimento busca levar informação para dentro das famílias, escolas, empresas, instituições e comunidades, ajudando mulheres a reconhecerem situações de violência e conhecerem os caminhos para buscar ajuda.
Violência não é apenas agressão física
Quando se fala em violência contra a mulher, muitas pessoas pensam imediatamente em agressões físicas. Porém, a violência pode assumir diferentes formas e, muitas vezes, começa de maneira silenciosa.
A Lei Maria da Penha reconhece, entre outras, as violências física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
A violência psicológica, por exemplo, pode aparecer por meio de humilhações, ameaças, controle excessivo, isolamento de familiares e amigos, chantagens ou comportamentos que diminuam a autoestima da mulher.
Já a violência patrimonial pode envolver a retenção ou destruição de documentos, dinheiro, objetos pessoais ou instrumentos de trabalho. A violência moral pode ocorrer por meio de calúnia, difamação ou injúria.
Por isso, é importante compreender que violência não começa necessariamente com um soco. Com frequência, ela começa com controle, medo, ameaças e desrespeito.
O silêncio também pode ser uma barreira
Uma das maiores dificuldades enfrentadas por mulheres em situação de violência é conseguir romper o ciclo de agressões.
Medo, dependência financeira, preocupação com os filhos, vergonha, ameaças e a esperança de que o agressor irá mudar podem fazer com que a vítima permaneça em silêncio.
Por isso, a comunidade tem um papel fundamental.
Um vizinho que percebe uma situação preocupante, um familiar que oferece acolhimento ou um amigo que escuta sem julgar podem representar um importante primeiro passo para que uma mulher consiga procurar ajuda.
Não é preciso esperar que a situação se torne ainda mais grave para levar a violência a sério.
Como ajudar?
Se você conhece uma mulher que pode estar vivendo uma situação de violência, procure ouvi-la com respeito e sem culpabilizá-la.
Frases como “por que você não vai embora?” ou “você precisa denunciar” podem parecer simples, mas nem sempre consideram a complexidade da situação vivenciada pela vítima.
Mais importante é demonstrar que ela não está sozinha, oferecer apoio e ajudá-la a conhecer os serviços disponíveis.
Em situações de emergência, quando a vida ou a integridade física estiverem em risco, a orientação é acionar o 190 – Polícia Militar.
Para orientação, informações e encaminhamento de denúncias relacionadas à violência contra a mulher, existe o Ligue 180, serviço nacional de atendimento à mulher.
Informação também é uma forma de proteção
O Agosto Lilás nos lembra que combater a violência contra a mulher não é responsabilidade apenas da vítima ou das autoridades.
É uma responsabilidade de toda a sociedade.
Famílias, vizinhos, amigos, escolas, empresas, associações e instituições podem contribuir para construir uma comunidade na qual a violência não seja naturalizada, escondida ou tratada como um “problema de casal”.
O mês de referência é o agosto Lilás, porém que a data e a cor não sejam limitadas a uma fase do ano apenas, mas um símbolo de conscientização, acolhimento e respeito sempre.
Porque toda mulher tem o direito de viver sem medo, com dignidade, liberdade e segurança.
ONDE BUSCAR AJUDA
Emergência: 190 – Polícia Militar Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher – orientação, acolhimento e informações sobre serviços da rede de atendimento.
Atualmente o Ministério das Mulheres também presta atendimento por WhatsApp (61) 9610-0180, além de telefone, e-mail e atendimento em Libras.
Em caso de perigo imediato, procure um local seguro e acione os serviços de emergência.
Violência contra a mulher não é assunto privado. É uma questão de toda a comunidade.
Agosto Lilás — informação, prevenção, acolhimento e respeito.
Fontes e referências:
- BRASIL. Lei nº 14.448, de 9 de setembro de 2022. Institui, em âmbito nacional, o Agosto Lilás como mês de proteção à mulher e de conscientização para o fim da violência contra a mulher.
- BRASIL. Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006 – Lei Maria da Penha. Dispõe sobre mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher e estabelece as principais formas de violência.
- Ministério das Mulheres – Governo Federal. Conteúdos e orientações sobre o Agosto Lilás, direitos das mulheres, medidas protetivas e rede de atendimento.
- Ministério das Mulheres – Ligue 180. Informações sobre a Central de Atendimento à Mulher, seus canais de atendimento e orientação.
- BRASIL. Lei nº 15.384, de 9 de abril de 2026. Atualiza a Lei Maria da Penha para incluir a violência vicária entre as formas de violência doméstica e familiar.