Comunicação Não Violenta

Paulo César Bruni

Fonoaudiólogo

CRFa (Conselho Regional de Fonoaudiologia) – 2a Região (SP) 6236

Formado em Fonoaudiologia pela PUCCAMP (Campinas) e com Especialização em Audiologia pela UNIFESP – EPM (Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina) (São Paulo).

Parte I: Como o ato de falar melhor pode transformar relacionamentos e evitar conflitos.

Você já saiu de uma conversa pensando: “Não era isso que eu queria dizer”? Ou já presenciou um desentendimento que começou por uma escolha de palavra errada? Em um mundo onde a pressa, as redes sociais e a falta de escuta parecem tornar os diálogos cada vez mais difíceis, aprender a se comunicar de forma clara, respeitosa e empática pode transformar relacionamentos.

Criada pelo psicólogo Marshall Rosenberg, a Comunicação Não Violenta (CNV) propõe um caminho para expressar sentimentos, compreender as necessidades do outro e lidar com os conflitos sem agressividade ou julgamentos. Mas será que isso significa evitar discussões ou concordar com tudo?

Há um equívoco muito comum sobre a CNV: achar que ela ensina a “engolir sapos”, evitar conflitos ou concordar com tudo. Isso não faz parte da proposta de Marshall.

Pelo contrário, a CNV incentiva a expressão honesta dos próprios sentimentos e necessidades, desde que sem recorrer a ataques, julgamentos ou humilhações. Também não significa ser passivo. É possível dizer “não”, estabelecer limites e discordar com firmeza. A diferença está na forma como isso é feito.

Para esclarecer essas e outras questões, conversamos com Paulo Bruni, fonoaudiólogo, que explica como a forma de falar, o tom de voz e, principalmente, a capacidade de escutar podem fazer toda a diferença na construção de relações mais saudáveis, seja em casa, no trabalho ou na convivência com a comunidade.

Comunicação Não Violenta é um termo que desperta curiosidade. O que ela realmente significa e por que esse tema tem ganhado tanta importância atualmente?

A Comunicação Não Violenta (CNV) é uma abordagem de comunicação desenvolvida pelo psicólogo Marshall Rosenberg, cujo objetivo é melhorar a forma como as pessoas se relacionam e se comunicam, reduzindo conflitos e aumentando a empatia e a compreensão mútua. Essa teoria se baseia em quatro elementos principais: observação diante da situação de comunicação, sentimentos e emoções envolvidos no processo de interação, necessidades ou valores que estão por trás desses sentimentos e dessas emoções e pedidos claros e específicos, em vez de exigências e acusações.

A CNV ganhou destaque por diversos motivos: aumento da polarização nas discussões políticas, sociais e culturais, especialmente nas redes sociais, maior preocupação com a saúde mental, levando as pessoas a buscarem relações mais saudáveis e respeitosas, uso nas empresas, onde a CNV ajuda a liderança com o trabalho em equipe e na resolução de conflitos, na educação em geral e nos relacionamentos familiares, como forma de lidar com crianças e adolescentes sem recorrer a punições, humilhações ou gritos e também nos relacionamentos pessoais, favorecendo conversas mais abertas e diminuindo conflitos e mal-entendidos. Em resumo, a CNV procura substituir acusações e julgamentos por uma comunicação baseada na observação, na expressão honesta dos sentimentos e necessidades e em pedidos claros e assertivos. Ela tem sido muito discutida porque responde a um desafio cada vez mais comum: como lidar com conflitos de forma respeitosa em um mundo marcado por relações rápidas, estresse e forte exposição nas redes sociais.

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